quinta-feira, 12 de abril de 2012

Desalgumacoisa



Desconcerto é o dissabor
Do Presságio que vem com a lamúria
Que invoca o espírito da desobediência
Que move minhas letras com palavras desacertadas
Que deixa o espectro com as orelhas levantadas
E entende o significado das palavras rasas
Que acredita em um mundo de calmas almas
Um dia uma hora quem sabe em algum momento.....

domingo, 1 de abril de 2012

Volúpia...


Volúpia

Sede, calor, umidade, vontade...
Vontade de ser, vontade de estar....
Pensando na tez, na nudez, no negrume...
África nos poros, voluptuosidade na derme...
Anseio que despe, que sua, que molha
Que olha, desconcerta, desconcentra, incomoda...
E deixa a possibilidade da  vontade um dia ser saudade!



quarta-feira, 14 de março de 2012

Coisa boba!!!


 Poesia é coisa boba vinda na hora
É tudo sobre o nada que acontece lá fora
Que o bobo tem coragem de publicar
Que o romântico tem a felicidade de idealizar
E o audaz de concretizar
Já o medroso nem pra falar
Mas Quem sabe algum dia recitar
Em um sarau perdido nas quebradas sangrentas
Pois a poesia impera sim pela violência das letras
Nas galerias e alamedas
Das mais chiques dos contos de princesa
Até as mais modestas ou então em qualquer canto que exista gentileza
Poesia é coisa boba vinda na hora
Que nem estas pobres linhas escritas agora...

Em 15 de março de 2012.

Lábios Enfurecidos....


Lábios enfurecidos
Versos carnudos
Tez invariável
Desejos algozes
Timbres irriquietos
Infernos internalizados
Incompreendidos
Insatisfeitos
Sedentos
Descontrolados
Em busca de satisfação
Arfantes
Oxigenizados
Alíviados
Esfriantes
Ofegantes
Em recuperação
Sinapse e êxtase
Recobrando os sentidos
Sinestesia, realidade
Normalidade...


Em 14 de março de 2012...

domingo, 4 de março de 2012

DEUS TAMBOR


DEUS TAMBOR

Afro Ketu Odara cultua o Deus  Tambor
É o ritmo africano trazido de lá
Do Guarujá ecoa para todo esse Brasil
Jovens negros conscientes
E suas glórias mil!!!!!

É o culto envolvente de Ifé, Oyó, Ifá
Reacendendo o orgulho negro do meu lindo Guarujá
Porque a nossa história é feita e muito sangue e muita dor
Resistência quilombola negro banto quem cantou

Foi no rum do meu ilê que o panteão desceu e cantou
Sempre contra a opressão iremos todos nos manifestar
A felicidade de um povo negro, ioruba nagô
Com suas origens e histórias todas vindas de além mar

Cruzamos todo o Atlântico com a nossa tradição
Cutlura negra omitidade e mesmo assim resistiu a covardia
Liberdade eu canto e danço pro racismo acabar
Ao tambor eu peço o tom pro meu canto ecoar

(Pequena e singela homenagem aos amigos da Associação Cultural Afro Ketu do município de Guarujá/SP)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Tobossi...

É conto ou é lenda, é mito ou é realidade?
Oxum se zangou com o Zangão, fato raro no Orun
Tava lá ele todo bravo com o fato de esquecer de fatos que eram relevantemente importantes
Quando lembrou que tinha esquecido de Oxum no pé da cachoeira
Ela linda e brava, sedutora e reluzente, dourada da cabeça aos pés lhe disse
Zangão, não se zangue e se situe em nossa relação
Te amo e te quero, mas pra além do vínculo, quero carinho e atenção
Ele, valente e cobiçado, destemido e desapregoado, envergou como uma biriba e disse em tom de resposta e orgulho
Não esqueci de você não, apenas não lembrei por conta de uma demanda, por conta de uma contenda...
Ela mais que depressa, faceira como a noite, encantadora como o luar e bela como só ela sabe o ser, retrucou
Se a demanda mais em conta te contempla que na contenda você se pega, tome cuidado seu moço que não sou sua nem na lenda é melhor cair na real senão Ifá me leva e tu só vai lembrar de mim quando o tambor cantar....

domingo, 12 de junho de 2011

Reivindicação




Eu quero o ébano mais retinto
Quero o negrume mais reluzente
Reivindico a cor melanina como protagonista
Iorubanizando a práxis contemporânea com a minha perspectiva

Que a luta não se ausente de meu coração leviano
Tal qual o samba daquele belo e velho  poeta sem igual
Leviano  em desalinho como cantava aquele outro também gênio
Nas negras  madrugadas tortuosas já há alguns decênios, talvez milênios

Pelos versos vou me perdendo nas lembranças
Pelas rimas fortaleço o  meu negro amor
Pela vida, pela luta, pelo encantamento ancestral
Pela fé banto ,  pelo male nagô, pelo meu legado imortal

Reivindico sem esquecer da dor
Do sofrimento do meu ontem pra hoje eu aqui estar
Para o amanhã ser mais ameno e menos triste
Reivindico, me posiciono com a poesia negra em riste


Em 13 de junho de 2011